BENDITOS
Benditos sejam os homens, que em algum momento da vida, fizeram suas próprias leis.
Benditos esses homens que por pura coragem, generosidade ou amor ao próximo, resolveram seguir a mais importante das leis; a lei do coração.
Muitos absurdos têm sido cometidos em nome da justiça, da religião ou de regras pré-estabelecidas.
Quanto de igual arrogância tem o homem que empunha uma bíblia e em nome dela explora o povo humilde. Ou o que com o código penal discrimina e impõe a vontade dos mais fortes.
Sou mais aquele tratorista, que ao invés de obedecer o que mandavam aquelas pessoas robotizados empunhando papéis timbrados como se fossem armas divinas, preferiu seguir o que nenhuma faculdade seria capaz de ensinar: o amor pelos seus iguais. Com certeza, naquele momento, ele pensava que aqueles homens tinham se esquecido de que nada no mundo vale o sofrimento de pessoas inocentes e indefesas.
Sou mais Barbosa Lima Sobrinho em um dos momentos mais tocantes da nossa história, quando milhares de pessoas reunidas em uma praça, cansadas de anos de ditadura e de falta de liberdade, fizeram silêncio absoluto para ouvir daquele bendito homem, do alto dos seus oitenta anos: “Todo poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido”. Estava dado ali, por um homem frágil e debilitado pela idade, o golpe e misericórdia que acabaria de vez com uma ditadura sombria e sangrenta.
Bendito o motorista Eriberto, que achava estar só cumprindo seu dever de cidadão, quando detonou o movimento que acabou derrubando o Presidente da República. Ficou gravado em minha memória, como exemplo de coragem e dignidade, a imagem daquele nordestino tímido e sem instrução, sendo sabatinado por raposas da nossa pior extirpe política. Depois de horas de tentativas de intimidação, uma dessas raposas perdeu a linha e perguntou se ele fazia tudo aquilo apenas por patriotismo. A resposta veio rápida: “O senhor acha pouco?” Acabou ali a sessão e meses depois o presidente cairia.
Tivemos a pouco, o exemplo do caseiro que enfrentou e derrubou o homem forte do governo, apenas falando a verdade.
Sou mais o presidente Bill Clinton que governou com simplicidade o país mais poderoso do mundo, e em vez de provocar guerras absurdas, fez a economia americana crescer e o mundo ter a ilusão de que a paz poderia existir.
Bendito o nordestino que inspirou o filme “Cabra Marcado pra Morrer”. Ao ser preso acusado de comunista, respondeu apenas: ‘Sei o que é isso não moço. É que meu povo tava passando fome e eu achava que as coisas podiam ser um pouco mais divididas...’
Bendito Gorbachov, que derrubou o muro de Berlim sem dar um único tiro.
E que sentimento de busca por justiça e liberdade, fez aquele chinezinho enfrentar sozinho uma coluna de tanques, na Praça da Paz Celestial?
Sou mais ‘Patativa do Assaré’, que cantava a liberdade no meio da seca, em versos simples e tocantes.
Benditos Cartola, Drumond, Chico, Tancredo, Ulisses, Ghandi... Todos esses homens que apesar de tudo e à sua maneira, tentaram e tentam, fazer o mundo mais feliz.
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