Êta Orgulho!

Daqui da praia não dá pra ver direito. Mas posso imaginar o olhar do povo. Principalmente daqueles nossos vizinhos dali de cima. Sabe aquele olhar assim de banda?
- Putz, agora é que eles vão se achar mesmo.
Há vamos, vamos sim. Já estamos nos achando.
Pra eles, somos só um povinho preguiçoso e chegados a uma malandragem. Mas essa natureza não presenteou a gente à toa, não. Sabemos como ninguém aproveitar, valorizar e retribuir cada privilégio nos concedido por aquele lá de cima.
Se nos deu molejo gingado e musicalidade, criamos o samba. Se nos deu sensibilidade, criamos uma poesia linda, simples e única, na forma de mestres como Cartola, Vinícius, Chico, Antonio Brasileiro e tantos outros.
Se nos deu esse litoral maravilhoso, criamos a nossa garota com suingue e sangue muito bom. E nesse eclético espaço entre o Atlântico e as montanhas, fazemos nossa devoção à vida; Praticamos muito esporte, tomamos nossa cervejinha e jogamos muita conversa fora.
Há, e de vez enquanto trabalhamos. E trabalhamos com tanto esmero e capricho, que devagarzinho vamos conquistando nosso espaço no mundo.
E assim mesmo, com nossa indolência, nossa maneira leve de ver a vida, realizamos grandes eventos com invejável organização, exportamos arte e cultura, e somos muito bons em fazer festas, muitas festas. Ainda temos a quarta TV do mundo e em uma respeitável pesquisa, fomos considerados os mais solidários entre os povos.
Problemas? É, temos muitos. Mas vamos resolver, pode acreditar.
Daqui da praia, entre uma caipirinha e outra, entre um mergulho e outro, vou me preparando; Vem aí uma Copa do Mundo, uma Olimpíada... Vai ter muita gente querendo aproveitar também nossa boa vida. Tá tranqüilo; Afinal, como é do nosso jeito, e como costumamos dizer por aqui, quem chegar é bem chegado: ‘Tamos juntos’.
Mas nosso orgulho... Há esse é nosso, não estamos a fim de dividir não. É como uma caipirinha bem feita; Vamos curtir até a última gota.
Vidinha mahomeno, né?

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