O Ônibus entrava pelo Aterro do Flamengo, deixando para trás a Praça XV e a Presidente Vargas. Em pé lá na frente, bem ao lado do motorista, o menino tentava em vão segurar as lágrimas.
Antes de vir com a família para o Rio e ir morar na Baixada Fluminense, tinha ouvido falar vagamente daquela cidade.
Agora, o verde da grama do Aterro com a enseada de Botafogo e o Pão de Açúcar ao fundo, e o sol refletindo nas águas realçando o colorido dos barcos ancorados, formavam um cenário que parecia irreal para olhos do moleque magrelo e catarrento e seu mundinho de certa forma feliz, mas muito feinho e poeirento das ruas de Caxias.
Tudo muito inacreditável para quem era só um menino que sonhava e gostava de coisas bonitas, e que se emocionava com as fotos e desenhos de mar nos gibis e revistas usados que chegavam às suas mãos.
Aquela cidade existia e estava ali, se descobrindo diante dos seus olhos.
E veio Copacabana com o mar misterioso e aparentemente indomável bem pertinho dos prédios imensos, altíssimos, numa convivência improvável, mas incrivelmente harmoniosa.
E veio, tempos depois, Ipanema com suas histórias e personagens, o Arpoador com o Por do Sol mais bonito que os olhos podem ver, e onde, poucos sabem ou lembram, nasceu o Circo Voador. Veio a Chaika com tardes inesquecíveis de torta de chocolate e raspadinha de groselha – a raspadinha não existe mais, mas as tortas ainda desafiam minhas pretensões atléticas – e o Leblon, que poucos sabem também, é uma ilha, e onde a memória e a música não deixam esquecer o Hotel Marina acendendo nos fins de tarde, indiferente a corações sensíveis.
E as descobertas e as surpresas foram se sucedendo enquanto o menino crescia e amadurecia; A Lagoa, o Dois Irmãos, Santa Tereza, a poesia, o Castelinho, a música, a Lapa, o Carnaval... Hoje a Barra e o mar transparente meu e da Ivy, a Gigóia, o Pepê, a batidinha do Osvaldo, a Niemeyer, os mirantes...
Outro dia um forasteiro falou que nós cariocas não parávamos mais para admirar nossas belezas, de tão acostumados. Nós quem cara pálida? Ainda me emociono e me sinto um privilegiado em cada esquina que viro desta terra encantada.
Muito tempo passou. Muitas histórias aconteceram. Como todas as histórias, com seus muitos momentos bons, e outros, poucos, nem tanto. Muitas descobertas foram feitas, muita vida rolou. Já faz tempo que aquele menino cresceu e se transformou em um homem.
Mas nunca esqueceu daquele momento. E da certeza de que estava nascendo ali, um fiel e apaixonado Coração Carioca.
E as descobertas e as surpresas foram se sucedendo enquanto o menino crescia e amadurecia; A Lagoa, o Dois Irmãos, Santa Tereza, a poesia, o Castelinho, a música, a Lapa, o Carnaval... Hoje a Barra e o mar transparente meu e da Ivy, a Gigóia, o Pepê, a batidinha do Osvaldo, a Niemeyer, os mirantes...
Outro dia um forasteiro falou que nós cariocas não parávamos mais para admirar nossas belezas, de tão acostumados. Nós quem cara pálida? Ainda me emociono e me sinto um privilegiado em cada esquina que viro desta terra encantada.
Muito tempo passou. Muitas histórias aconteceram. Como todas as histórias, com seus muitos momentos bons, e outros, poucos, nem tanto. Muitas descobertas foram feitas, muita vida rolou. Já faz tempo que aquele menino cresceu e se transformou em um homem.
Mas nunca esqueceu daquele momento. E da certeza de que estava nascendo ali, um fiel e apaixonado Coração Carioca.
Irapuã

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