JB, duas letrinhas. Mas posso dizer sem risco de exagero, que vão com elas um pedaço importante da minha história de vida. O Jornal do Brasil não existe mais. E para a maioria das pessoas isto não representa absolutamente nada. Mas para quem viveu a minha geração, para quem teve as inquietações que eu tive, e para quem absorvia atento, momentos importantes da nossa história recente, é uma perda sofrida demais.
Com o JB, eu mantinha contato com a efervescência política, artistica e cultural dos anos 70, 80, 90... Durante todas essas décadas, o dia não era um dia normal sem começar com a leitura ávida das notícias, das crônicas, dos editoriais e dos textos inteligentes e corajosos, em um época onde falar o que se pensava, podia representar um perigo inimaginável nos dias de hoje.
Em alguns momentos, naqueles tempos de vacas magérrimas, tive que decidir entre o café da manhã ou o JB do dia. Não era difícil. Estavam lá me esperando João Saldanha, Carlos Drumond de Andrade, Carlinhos Oliveira, Zózimo, o caderno B... não dava mesmo pra ficar sem.
Já faz tempo que o JB vinha agonizando. E era como aquele ente querido que a gente prefere lembrar nos bons tempos, saudável, produtivo, feliz.
Ficou um vazio cultural na cidade, agravado pelo vazio político, e por tempos confusos e contraditórios. Mas isso é outra história. Me repetindo, outra triste e vergonhosa história. E como dizia meu querido e saudoso João Saldanha quando encerrava alguma crônica falando de algum assunto não muito feliz, "vida que segue". Segue sim, tem que seguir. Mas com certeza, um pouco mais sem graça, sem o JB.
Irapuã
Irapuã
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