O lado do bem pedia o fim da ditadura. Lutava por liberdade, democracia, justiça. O do mal era duro, poderoso, inflexível.
O do bem sonhava com tempos melhores. O do mal dizia que eles viriam, desde que seguissem suas regras, suas normas de conduta.
Era fácil escolher o lado certo. Principalmente pra nós, jovens rebeldes e idealistas.
O tempo - muito tempo - passou. E quem venceu?
Meus cabelos – quase – brancos, minhas rugas e meus pensamentos, cansados, deveriam estar comemorando, ou colhendo resultados de anos de batalhas.
Mas percebo, depois de tudo, que ficou muito sem graça, muito triste e difícil enfrentar o inimigo.
Meus aliados, meus ídolos a quem sempre admirei e de quem sentia orgulho por lutar ao meu lado, hoje apóiam quem apóia ditaduras e governos totalitários, piores até do o que sempre combatemos. E ficam ao lado daqueles velhos coronéis de sempre, que fomentam a miséria e a falta de informação em nome de um poder patriarcal, eterno e onipresente.
Olho para o outro lado do campo de batalha e não vejo meus inimigos. Estão disfarçados, dissimulados e adotaram a política do cinismo, do conchavo, do poder a qualquer custo. O povo, cada vez mais mal informado, acredita e aceita migalhas, sem olhar em volta, sem buscar outros caminhos, outras soluções. A educação, por exemplo. E continua morrendo nas filas dos hospitais, e continua tendo de pagar – os que podem - por qualquer direito básico que os impostos e os juros mais caros do mundo deveriam garantir com sobras.
Bom, mas não era esta a proposta deste blog, que pretendia falar de coisas amenas, do cotidiano desta bela e contraditória cidade e desta vida linda a apaixonante que pulsa à minha volta.
Então, bola pra frente. Vamos vivendo, tentando transmitir coisas boas pra esse povinho que merece um mundo bacana.
Lá fora está nascendo mais um dia lindo... Vida que segue.
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