COISA DE HOMEM


     O ônibus chegou e o casalzinho que trocava beijinhos na minha frente, subiu como se estivesse com muita pressa.  O rapaz entrou na frente sem se preocupar com a moça. Passou na roleta pagando só a sua passagem e sentou na janela tranqüilamente. A mocinha, acredito que mesmo sem saber bem porque, ficou meio sem graça e um pouquinho atrapalhada. Passou, pagou também a sua passagem, sentou ao lado do rapaz e continuaram o papo e os carinhos.
     Esquisitos esses meninos. Não sei se por falta de alguém pra uma conversa de homem pra homem, ou se por pura filosofia de vida mesmo; o fato é que perderam totalmente a noção do ser homem, da diferença gostosa e interessante de sexos, de como tratar a menina como uma menina, mesmo com todas as modernidades de hoje. E fiquei pensando como seria o comportamento dele se por acaso tivessem uma vida sexual. E a menina? Acredito que deva achar tudo muito natural, já que esse é o único comportamento que ela vivencia.
     Uma coisa é certa: os dois perderam um pouco do grande barato que é ser homem ou mulher, no sentido mais bonito que isso representa.
     Tudo bem, as coisas mudaram muito. A mulher se tornou independente, hoje luta de igual pra ‘melhor’  no mercado de trabalho e vive nos dando lições de força e determinação. Mas com certeza nunca deixou nem nunca vai deixar de ser mulher.
      Pode ter certeza; por mais auto-suficiente que seja, ela sempre vai gostar de ver você apertar o passo só pra chegar na frente e abrir a porta para ela, mesmo que seja uma desconhecida que você nunca mais vai ver na vida.  
     Ceder um lugar no metrô, abrir a porta do carro, pegar alguma coisa que ela deixou cair no chão, e vê-la baixar os olhos meio sem graça  com um elogio inesperado mas com um leve sorriso de gratidão. E aquela expressão indescritível quando se sentem protegidas, satisfeitas ou gratificadas, são coisas que não tem preço e, por mais que o mundo se transforme, fazem parte de um jogo delicioso  e que aos poucos vem se perdendo.
    Coisa de antigamente, diria um desses meninos. 
    Acho que não; Coisa de homem.

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