Quando quero mostrar que sou esperto, vivido, costumo dizer com o peito cheio de orgulho que sou carioca. Infância em Caxias, juventude nos subúrbios da Leopoldina e doutorado na Zona Sul. Conheço cada pedacinho de areia do Flamengo a Grumary e hoje o Pepê é meu quintal. Sou sócio fundador da Chaika em Ipanema e assisti Sony Rollins num fim de tarde no Parque da Catacumba. Dividi um côco com as bikes encostadas na estátua do Zózimo no Leblon e as do Cazuza no Baixo e do Drumond em Copa também já foram minhas cúmplices. No carnaval, sempre digo que vou viajar, mas acabo batendo ponto no Imprensa que eu Gamo, no Suvaco e no Simpatia, mesmo que seja só pra ver a alegria e a farra do povo.
Corri da ditadura na Rio Branco, me vesti de preto pra derrubar o Collor, abracei a Lagoa pelo Gabeira e estava na Cinelândia vendo Ulisses, Tancredo & Cia exigir diretas já. Peguei jacaré na praia do Diabo, aplaudi o por do sol no Arpoador, tomei o último chope do Castelinho, ainda tomo batida no Osvaldo, briguei no Amarelinho e vi o Paralamas estrear no Circo Voador.
Frequento o 'Choro na Feira', conversei com Vinícius em frente ao Canecão, comemorei muito gol do Zico no Maraca e estava controlando o microfone do Chico quando ele entrou na Sapucaí junto com a Mangueira e cantou: “Vai passar, nessa avenida um samba popular...’
Quando quero dizer que sou macho, que nada me afeta e ‘tiro cisco do olho com ponta de peixeira’, sou pernambucano, dos bons. Meu coração dispara quando ouço um frevo rasgado e meu registro tá lá: Olinda, com fotos em jangada de verdade, bem diferente dessas de hoje, enfeitadinhas pra turista.
Tirando onda de homem urbano, já namorei no heliporto do Edifício Patriarca, hoje prefeitura de São Paulo, tomando vinho bom e vendo um mundo de luzes tremidas pela garoa.
E se é pra ser sem frescuras ou encarar alguma situação mais difícil, mando logo: poxa eu ‘servi o quartel’. Essa é mentira, mas serve.
Bahia? Segredo nenhum; Já toquei com o Olodum no Pelourinho numa tarde de ano novo e vi umas meninas dançando em transe ao som da banda Didá. E é lá que está minha filhota mais linda do mundo, que se chama Ivy e vive entre Brotas e Cosme de Farias e me derrete todo quando me chama de "Meu Painho".
Ai vem meu primo que vive nos States, e diz que nosso sangue é ‘purinho das oropa’.
Fala sério, primo.
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