Às vezes gosto de pegar um ônibus. Pode ser para fazer alguma viagem, ou simplesmente ir de um bairro para outro. De preferência sentado na janela. E é ali, naqueles momentos, breves ou não, que observo um pouco de uma vida que normalmente passa despercebida na correria do dia a dia.
Pode ser um detalhe da paisagem, pode ser um personagem do cotidiano, ou pode ser simplesmente uma lembrança. Seja como for, a mente acaba viajando, divagando, tirando conclusões ou fazendo descobertas surpreendentes.
Sabiam que tem paineiras beirando o viaduto do Joá? Jurava que elas só existiam no Jardim Botânico ou na estradinha linda que leva seu nome e que sobe em direção ao Cristo. Descobri isso numa viagem de 179, Centro-Barra, num daqueles dias em que resolvi deixar a moto em casa.
Sabiam que tem paineiras beirando o viaduto do Joá? Jurava que elas só existiam no Jardim Botânico ou na estradinha linda que leva seu nome e que sobe em direção ao Cristo. Descobri isso numa viagem de 179, Centro-Barra, num daqueles dias em que resolvi deixar a moto em casa.
E alguém já reparou naquelas pessoas que andam por aí com uma pequena mala na mão, a maioria homens de meia idade? Já vi muitos deles caminhando tristes pelas calçadas, sentados em bancos de praça ou até no calçadão, observando o mar com olhar perdido. Demorei um pouquinho pra entender que são desempregados que vem para a cidade em busca de trabalho que nem sempre encontram. E tem que ficar por aí andando grandes distâncias a pé – o dinheiro sempre muito curto ou nenhum - ou fazendo hora para o chamado do emprego ou a desesperança da volta pra casa.
Nem sempre são doces essas observações.
E tem as lembranças. São tantas, cada vez maiores à medida que o tempo vai passando. A Enseada de Botafogo no final do Aterro não mudou quase nada desde aquela primeira e emocional visão. Aquela que fez nascer meu coração carioca. Já falei disso numa outra crônica no passado deste blog, que até blog, esse treco tão moderno, tem passado.
A Barra, essa mudou demais. E mesmo assim me leva a viajar no tempo. Foram muitos os momentos marcantes, relembrados agora, apesar do chato com o Nextel no viva voz. Não existe mais aquele restaurante da feijoada com a Cris; Muito doce e leve momento a despeito do prato. Mas ainda estão lá o Oswaldo e o La Violetera de muitos e memoráveis porres com a ˈTurma do Puleiroˈ. E muito antes ainda, da Fanta uva, num daqueles domingos em que praticamente fugia de casa em Caxias, lá pelos 12 anos, pra desbravar esse mundão aterrador.
E o ˈbuzãoˈ - dessa vez um 225, Recreio-Rodoviária - sobe o alto e desce pela Usina. Não vai dar pra ver a casinha delícia com varandinha e jardim onde habitei uma parte curta mas importante da vida. E tome lembranças da Haddoock Lobo, da Professor Gabizzo e finalmente, Santo Cristo, também já muito contado aqui em outros textos.
O casal discutindo no carro eu não vou ver, mas com certeza terão feito as pazes antes de chegar no posto 6. As bicicletas elétricas estão cada vez mais comuns. E esse calçadão... putz, outro capítulo. Ou outro volume.
A moça, toda se achando no trage de execultiva, desligou o Nextel. Felizmente nem percebi, mas já está na hora de saltar. Vou pegar de volta a moto, a vida, o cotidiano. Talvez alguém me perceba da janela de outro ônibus, e fique viajando, imaginando o que estaria passando na cabeça e na vida daquele figura na moto prateada que acelera despercebida entre os carros.
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