Falei aqui em um outro texto, da emoção do menino vendo pela primeira vez a Enseada de Botafogo, com o Pão de Açúcar ao fundo e o Cristo lá de longe vendo tudo. Falei também do tempo que passou, e de muitas descobertas.
“Apois...” como diria o velho contador de histórias, mas um tempinho ainda se passou. Aquele lugar mágico continuou e continua emocionando. Mas nunca, nem na mais fértil imaginação de meninos sensíveis e sonhadores, aquela cena poderia ser imaginada ou sonhada: Observado por uma lua cheia que conseguia tornar ainda mais bonita a paisagem, desenhada sei lá por que Deus vaidoso e caprichoso, aquele menino, hoje um homem maduro, ‘caminhava’ por aquelas águas.
Soprava uma brisa suave e morna, como um atencioso anfitrião dizendo: "Fiquem à vontade, aproveitem o passeio". As luzes dos prédios, dos postes do Aterro, dos fortes e do velho e agora modernizado Cassino da Urca, piscavam longe. Os barcos ancorados e silenciosos, mal se mexiam, como em reverência àquele grupo alegre, ousado, feliz e emocionado, que passeava sobre as águas de uma forma que talvez eles nunca tenham visto antes.
Em pé em suas pranchas impulsionadas por remos, pessoas de todas as idades compartilhavam o prazer imenso de desfrutar daquela natureza, de se sentir integrados, saudáveis e vencendo pequenos desafios.
Ali, de uma forma quase imperceptível, passou um pequeno filme de todos os momentos vividos naquele intervalo de tempo entre o menino no ônibus, e o homem na prancha. E deu até pra esquecer daquele povo esquisito impedindo aos berros a blogueira cubana de falar. Deu pra esquecer as coisas mais esquisitas ainda que fazem nossos políticos, escorados e perpetuados por um povo muito bem intencionado mas infelizmente ainda muito mal informado.
E ficou daquele pequeno, simples e especial momento, a certeza de que essa vida é mesmo imprevisível, surpreendente e emocionante.
E como diria um certo figura que representa bem esse povo lá de cima; “Deixa ela vier”!
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