A CASA DA ÁRVORE



Tinha aquele antigo comercial de cigarros, que mostrava um cara construindo uma pequena plataforma na beira de um rio. E no final ele aparecia pescando com uma música bonita e o locutor dizendo: “Mesmo que tudo o que se queira, seja apenas um pouquinho de paz”.
Só me lembro desse trecho. Mas me marcou muito pela mensagem, que fala da busca do homem por pequenos momentos, pequenos prazeres.
Me vem às vezes essa cena, quando acordo aqui, na minha ‘casa da árvore’. Que delícia abrir os olhos pela manhã e ver pela janela, os bandos de biguás passando em formação. Enquanto preparo o café da manhã, posso ver sempre uma sabiá laranjeira construindo seu ninho. As vezes a lua ainda me observa por trás da Pedra da Gávea, linda, imponente e tão familiar pra mim. Do outro lado, o canal da lagoa me revela como está a maré, e cada dia mostra um matiz de verde diferente; uma diferença tão sutil que talvez seja imperceptível para a maioria. Vez em quando passa uma chalana ou um pequeno barco de algum morador. Nem sei dizer da incrível sensação que esses momentos me provocam. Como diria um outro e mais recente comercial: “Não tem preço”.
E eu que já vivi tanta coisa, e que como todo ser humano, ainda espero tanta coisa da vida, só posso agradecer por esses momentos, por esse pequeno e impagável encontro.
O encontro de um homem com sua paz.


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